| Também eram muito procurados os objetos de metal; o cobre, obtido em
Chipre, o ouro, a prata e o bronze foram os mais utilizados, em objetos suntuários e em
jóias de fino valor. Os trabalhos em marfim alcançaram grande perfeição técnica na forma
de pentes, estojos e estatuetas.
Os fenícios descobriram ainda a técnica de fabricação do
vidro e aperfeiçoaram-na para confeccionar belos objetos.
O comércio se fez principalmente
pelo mar, já que o transporte terrestre de grandes carregamentos era dificílimo. Essa exigência
contribuiu para desenvolver a habilidade dos fenícios como construtores navais e os
transformou em hábeis navegadores. Sociedade e política. Para a construção de suas cidades e
feitorias, os fenícios escolhiam zonas estratégicas do ponto de vista comercial e da navegação.
Erguiam-nas sempre em portos protegidos, amplas baías que permitiam aos barcos atracar com
facilidade e penínsulas abrigadas. As cidades eram geralmente protegidas com muralhas, e os
edifícios chegavam a uma altura considerável. A classe dos comerciantes ricos exercia o
domínio político em cada cidade, governada por um rei. A diversidade arquitetônica das
casas fenícias que foi possível conhecer revela a existência de uma marcada diferenciação
social entre a oligarquia de mercadores e o conjunto dos trabalhadores artesanais e agrícolas.
A religião dos fenícios era semelhante à de outros povos do Oriente Médio, embora também
apresentasse características e influências de religiões e crenças de outras áreas como o mar
Egeu, o Egito e mais tarde a Grécia, em conseqüência dos contatos comerciais. A religiosidade
se baseava no culto às forças naturais divinizadas. A divindade principal era El, adorado junto
com sua companheira e mãe, Asherat ou Elat, deusa do mar. Desses dois descendiam outros, como
Baal, deus das montanhas e da chuva, e Astarte ou Astar, deusa da fertilidade, chamada Tanit
nas colônias do Mediterrâneo ocidental, como Cartago. As cidades fenícias tinham ainda divindades
particulares; Melqart foi o deus de Tiro, de onde seu culto, com a expansão marítima, passou ao
Ocidente, concretamente a Cartago e Gades. Entre os rituais fenícios mais praticados tiveram
papel essencial os sacrifícios de animais, mas também os humanos, principalmente crianças. Em
geral os templos, normalmente divididos em três espaços, eram edificados em áreas abertas
dentro das cidades. Havia ainda pequenas capelas, altares ao ar livre e santuários com estelas
decoradas em relevo. Os sacerdotes e sacerdotisas freqüentemente herdavam da família o ofício
sagrado. Os próprios monarcas fenícios, homens ou mulheres, exerciam o sacerdócio, para o que
se requeria um estudo profundo da tradição. |