| No norte da África, os fenícios tinham-se
estabelecido em Útica no século XII a.C. e fundaram outros núcleos no século IX a.C.,
entre os quais Cartago. Na península ibérica, Gades (Cádiz), fundada no século XII a.C.,
foi o porto principal dos fenícios, que ali adquiriam minerais e outros produtos do interior.
Na ilha de Malta, a Fenícia impôs seu controle no século VIII
a.C., e a partir de Cartago fez o mesmo em relação a Ibiza no século VI a.C.
O esplendor econômico e cultural da Fenícia viu-se ameaçado a partir do século IX a.C.,
quando a Assíria, que precisava de uma saída para o mar a fim de fortalecer sua posição
política no Oriente Médio, começou a introduzir-se na região.
O rei assírio Assurbanipal estendeu sua influência a Tiro,
Sídon e Biblo, cidades às quais impôs pesados tributos. A dominação assíria obrigou as cidades
fenícias a firmarem uma aliança: em meados do século VIII a.C., Tiro e Sídon se uniram para
enfrentar os assírios, aos quais opuseram tenaz resistência; mas, apesar desses esforços de
independência, a Assíria manteve sua hegemonia. Os egípcios, também submetidos à influência
assíria, estabeleceram um pacto defensivo com Tiro no início do século VII a.C., mas foram
vencidos. No fim desse século, Nabucodonosor II impôs a hegemonia da Babilônia no Oriente Médio.
O rei babilônico conquistou a região da Palestina e, depois de longo assédio, submeteu Tiro em
573 a.C. A Pérsia substituiu a Babilônia em 539 a.C. como poder hegemônico. A partir de então,
Sídon passou a ter supremacia sobre as outras cidades fenícias e colaborou com o império persa
contra os gregos, seus principais inimigos na disputa do controle comercial do Mediterrâneo.
Os persas incluíram a Fenícia em sua quinta satrapia (província), junto com a Palestina e
Chipre. Sídon procurou então uma aproximação com os gregos, cuja influência cultural se
acentuou na Fenícia. No século IV, o macedônio Alexandre o Grande irrompeu na Fenícia; mais
uma vez, Tiro foi a cidade que apresentou a resistência mais forte, mas, esgotada por anos de
lutas contínuas, caiu em poder de Alexandre em 322 a.C. Depois da derrota, toda a Fenícia foi
tomada pelos gregos. Finalmente, Roma incorporou a região a seus domínios, como parte da
província da Síria, em 64 a.C. A Fenícia foi um dos países mais prósperos da antiguidade. Suas
cidades desenvolveram uma florescente indústria, que abastecia os mais distantes mercados.
Objetos de madeira talhada (cedro e pinho) e tecidos de lã, algodão e linho tingidos com a
famosa púrpura de Tiro, extraída de um molusco, foram as manufaturas fenícias de maior
prestígio e difusão. |