Desceram e subiram o rio várias
vezes e nada conseguiram, chegando ao Porto "José Correia" o pescador João Alves arremessando
sua rede às águas do Rio Paraíba sentiu que algo ali se prendera, puxou-a de volta ao barco e
viu que se tratava de uma imagem de Nossa Senhora da Conceição, sem a cabeça. Arremessou
novamente a rede e apanhou a cabeça da imagem. Os três pescadores sem nada entender continuaram
a pescaria, quando para surpresa de todos os peixes surgiram em abundância para aqueles homens.
A casa de Silvana foi o primeiro oratório que teve aquela imagem, e ficou com ela cerca de nove
anos, até 1726, data provável de seu falecimento. O marido e o filho, Deus já os chamara antes.
Assim tornou-se herdeiro da imagem seu irmão, Felipe Pedroso, o único sobrevivente da
milagrosa pescaria. Sua casa foi o segundo oratório, por seis anos, perto da Ponte Sá (proximidade da
atual Estação Ferroviária) e também o terceiro, por mais sete anos, na Ponte Alta, para onde
se mudara. Em 1739, Felipe Pedroso mudou-se mais uma vez, já velho, para o Itaguaçú, e fez a
entrega da imagem a seu filho Atanásio. Até então a imagem ficava dentro do baú, guardada, e
só era tirada de lá nas horas da preces, quando era posta sobre uma mesa. Na casa de Atanásio
Pedroso, que ficou sendo seu quarto oratório, ela passou a ter altar e oratório de madeira,
feitos por ele. Chamava sempre parentes e amigos e com eles rezava o terço e entoava
cânticos. O número de devotos começou a aumentar, alguns sentiram-se favorecidos por graças e
até por milagres, que apregoavam. A fama da Santa Aparecida foi crescendo e a notícia dos
prodígios chegou aos ouvidos do vigário da Paróquia, Padre José Alves, que mandou seu sacristão,
João Potiguara, assistir as rezas e observar. Baseado nas informações desse, e tendo ouvido
outras pessoas, resolveu o vigário construir uma capelinha ao lado da casa de Atanásio, que,
nessas alturas, estava morando no Porto Itaguaçú, onde a imagem fora encontrada.
Consta que o vigário quis levar a imagem para Guaratinguetá, levou-a por duas ou três vezes,
mas o povo ia às escondidas e a trazia de volta. Depois corria a notícia de que a imagem
fugira de volta para o bairro Itaguaçú. Resolveu o padre José Alves Vilela, no ano de 1743,
construir uma Capela no alto do Morro dos Coqueiros, a qual terminou sua construção dois anos
depois, abrindo a visitação pública em 26 de julho de 1745 (dia consagrado a Santa Ana), dia
em que foi celebrada a primeira missa. |